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DIREITO E INOVAÇÃO – ENSINO JURÍDICO

12/02/2021

É essencial disponibilizar recursos e fomentar nos estudos a criatividade e a capacidade de solucionar problemas reais

O avanço da tecnologia é progressivo e exponencial. Uma das consequências desse fato é a inevitabilidade de, cedo ou tarde, trocarmos gadgets por modelos mais recentes. Ao revés, quando isto não é feito, algumas atualizações se tornam indisponíveis. Ocorre, por isso, a incompatibilidade entre a nova tecnologia e o gadget específico.

No ensino jurídico, guardadas as proporções da analogia, constatando-se a transformação da sociedade, economia e, por consequência, dos fenômenos que precisam ser tutelados pelo direito, não é apropriado manter arquétipo e didática que se ajustavam a realidades pretéritas, porquanto as competências exigidas dos profissionais de hoje não correspondem aquelas de um passado recente.

É essencial disponibilizar recursos e fomentar nos estudos a criatividade e a capacidade de solucionar problemas reais. A destinação das investigações e de todo o conhecimento adquirido na formação inicial dos profissionais jurídicos, independentemente da carreira escolhida, é, sublinhe-se, resolver problemas existentes na realidade. O arquétipo e a didática do ensino jurídico devem, por isso, promover o desenvolvimento de habilidades que resultem em raciocínio analítico e criativo para estruturação de soluções viáveis, específicas e inovadoras.

Os objetivos dessas habilidades associam-se, em resumo, a criatividade, gestão de escritórios e departamentos jurídicos, prevenção de conflitos e novas tecnologias. Alguns exemplos: perceber os problemas de forma interdisciplinar, interligando expertise legal, entendimento sobre negócios e compreensão acerca de comportamentos; estar familiarizado com a gestão consensual de conflitos; transformar as demandas da gestão jurídica em fluxos operacionais padronizados; organizar indicadores e métricas para analisar tarefas cotidianas; realizar a abordagem das demandas baseada na análise de risco; observar a entrega de serviços jurídicos sob a perspectiva da gestão de projetos;  identificar padrões e tendências em grande quantidade de dados; conhecer, ainda que minimamente, linguagens de programação e o funcionamento de algoritmos; desenvolver novos serviços e soluções.

Ao lado dessas habilidades, também se enfatiza a importância de o ensino jurídico preparar adequadamente os futuros profissionais no concernente a competências subjetivas, soft skills, essenciais para construir e manter relacionamentos consistentes, dentro e fora das organizações.

É possível destacar, na área jurídica, as exigências de escuta ativa para entender as demandas das partes relacionadas, transmitindo adequadamente respostas assertivas (comunicação); compreender a real necessidade desse sujeitos a partir do funcionamento e das peculiaridades dos seus negócios ou relacionamentos (empatia); buscar soluções inovadoras e eficazes (criatividade); e manter-se motivado para enfrentar e superar desafios (resiliência).

Os profissionais jurídicos precisam estar permanentemente apaixonados por performance e pelas atividades que executam. Afinal, sem paixão e entusiasmo não é possível concretizar resultados de excelência. Estes são ingredientes imprescindíveis para favorecer novas habilidades e soft skills.

Por: Wilson Sales Belchior

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